Revista Em Construção Chamada de trabalhos para o Dossiê “Gênero e Conhecimento: Saberes localizados e poder”

Chamada de trabalhos para o Dossiê “Gênero e Conhecimento: Saberes localizados e poder”

Org. Rebeca Furtado de Melo (Colégio Pedro II) e Maria Helena Silva Soares (doutoranda - PPGFIL UERJ)

Prazo para o envio de trabalhos: 18 de novembro de 2018

ARevista Em Construçãotorna pública a chamada de trabalhos (artigos, ensaios, resenhas e traduções) para o dossiê temático Gênero e Conhecimento: Saberes localizados e poder , organizado pelas professoras Rebeca Furtado de Melo (Colégio Pedro II) e Maria Helena Silva Soares (doutoranda - PPGFIL UERJ) . A publicação está prevista para o terceiro número da revista emmaio de 2019. Os trabalhos devem ser enviados diretamente para o site da revista e devem estar em conformidade com as normas de publicação (disponíveis emhttp://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/emconstrucao/about/submissions#onlineSubmissions).

Além dos artigos para o dossiê, aRevista Em Construçãotambém recebe,em fluxo contínuo, outras contribuições (artigos, resenhas e traduções) sobre epistemologia histórica e estudos sobre ciências.



Chamada:

Gênero e Conhecimento: Saberes localizados e poder 

A história do conhecimento pode ser estudada a partir de diversas categorias de análises, tais como verdade, objetividade,  inovação, método, adequação empírica, mas, igualmente, gênero, raça e classe.

A tentativa de compreensão das práticas científicas como construções humanas envolvem sempre: saber e poder, ciência e sociedade, metodologia científica e política, objetividade e subjetividade. Faz-se mister uma análise da ciência localizada, isto é, parcial e corporificada – generificada (genderfied) – para pôr em questão o ideal de racionalidade pura, universal e neutra da Ciência Moderna ocidental.

O presente dossiê analisa a relação entre as questões de gênero e a produção de conhecimento, a fim de repensar, a partir da crítica feminista, as bases em que os diversos conhecimentos e a reflexão sobre a sua própria possibilidade foram e são construídos. Desejamos, portanto, compreender a produção dinâmica das diversas formas de saberes, bem como seus pressupostos e implicações. Esperamos, com isso, receber contribuições sobre o papel do gênero na construção e na crítica dos saberes localizados e corporificados.

Estudos de gênero têm ampliado o conhecimento acerca da produção científica ao usar o termo como uma categoria de análise útil para todas as áreas do conhecimento. Londa Schiebinger nos lembra que “Gênero indica relações de poder entre os sexos e refere-se tanto a homens quanto a mulheres” (SCHIEBINGER, Londa, 2005, p.29). A questão da representatividade feminina na produção científica foi, por assim dizer, o ponto de partida de estudos feministas sobre a ciência. Contudo, ela não é suficiente para uma profícua pesquisa sobre as implicações da relação entre gênero-saber-poder. A partir da década de setenta do século passado, as contribuições da teoria Queer fizeram com que a própria noção de gênero fosse repensada. Assim como pesquisadores do science studies preconizavam, já não se trata apenas de quem faz a ciência, é urgente investigar o para quê e, sobretudo, o para quem ela é feita.

Considerar a ciência como um saber localizado e parcial é não só abrir mão do sonho da neutralidade da razão, mas também assumir uma postura responsável sobre a interface entre saber científico e sociedade. Afinal, se “a questão da ciência para o feminismo diz respeito à objetividade como racionalidade posicionada” (HARAWAY, D., 1995, p.33), trata-se, então, de uma posição que se assume responsavelmente tanto em termos epistemológicos quanto ético-políticos. O que está em jogo aqui, portanto, é “um argumento a favor do conhecimento situado e corporificado e contra várias formas de postulados de conhecimento não localizáveis e, portanto, irresponsáveis” (HARAWAY, D., 1995, p.22). Por isso, esperamos nos afastar do ideal de neutralidade que, ao visar a uma imagem descorporificada de ciência, termina por produzir uma análise reducionista da atividade científica, que historicamente serviu para legitimar discursos de poder patriarcais, colonialistas e racistas, que negam, invisibilizam e exterminam determinadas produções de conhecimento e a diversidade de saberes humanos, em nome de um modelo pretensamente neutro e universal (SHIVA, Vandana, 2003, p. 21) .

Reconhecer e problematizar o gênero como um dos muitos paradigmas – tais como raça, classe social e territorialidade –, que se encontram aparentemente sedimentados no discurso científico, é o primeiro passo para a construção de uma ciência responsável. Uma comunidade científica que é consciente e problematiza as implicações e consequências de suas ações e decisões ontológicas e epistemológicas. Destarte, o dossiê temático “Gênero e Conhecimento: Saberes localizados e poder” da Revista Em Construção: arquivos de epistemologia históricae estudos de ciência se apresenta como uma tentativa de trazer à tona a relação entre feminismo, questões de gênero, epistemologia e poder a fim de garantir uma profícua avaliação e questionamento sobre valores nas práticas e discursos científicos.

Assim, convidamos a todxs xs interessadxs e pesquisadorxs do tema a enviarem trabalhos (artigos inéditos, resenhas, traduções e relatos de experiência) sobre questões que ampliem o debate sobre gênero e conhecimento. Acreditamos, assim, poder contribuir para o que aqui chamaremos, grosso modo, de uma política responsável para uma ciência que resiste.


Cronograma:

Prazo para o envio de trabalhos: 18/11/18

Publicação: 05/2019
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