Programação III Encontro Nacional ANPOF Ensino Médio

III ENCONTRO NACIONAL ANPOF ENSINO MÉDIO

PROGRAMAÇÃO DETALHADA
A III ANPOF-EM vai acontecer em Aracaju-SE, entre os dias 17 e 21 de outubro de 2016, das 7:30 às 21 horas. O evento ocorrerá concomitante ao XVII ENCONTRO NACIONAL DA ANPOF.
A PROGRAMAÇÃO da ANPOF-EM será composta de três blocos: relatos de experiências, minicursos e um simpósio.

I. RELATOS DE EXPERIÊNCIAS
- Nos relatos serão apresentadas experiências exemplares de ensino da filosofia nas escolas de ensino médio. Os relatos serão divididos em quatro modalidades, constituindo sessões temáticas. São elas:
1) Currículo: experiências de implantação de propostas curriculares, podendo referir-se à totalidade da proposta ou a apenas algumas de suas unidades ou sequências didáticas, além de poder ser de caráter disciplinar ou interdisciplinar e basear-se nas mais diversas orientações pedagógicas (ensino centrado na história da filosofia, em temas, conceitos ou problemas filosóficos ou em habilidades e competências eminentemente filosóficas, entre outras).
2) Recursos didáticos: experiências de produção e/ou utilização de recursos didáticos diversos no ensino de filosofia, tais como, por exemplo, produção e/ou uso de textos e outras mídias (audiovisual ou digital), além de projetos e propostas de exercícios e de instrumentos de avaliação.
3) Formação de professores: experiências de apoio à formação inicial ou continuada de professores, em particular aquelas realizadas no acompanhamento de estagiários de licenciatura (incluindo PARFOR), no desempenho da função de supervisor do PIBID ou no desenvolvimento de intervenções práticas em mestrados profissionais voltadas ao ensino da filosofia.
4) Tema livre: experiências acerca de qualquer assunto relacionado ao ensino da filosofia, tais como, por exemplo, a avaliação de propostas de aulas ou de projetos, análise de experiências avaliativas e pesquisas e atividades diversas na escola.
OBS.: Na tabela abaixo é possível visualizar os horários das apresentações dos trabalhos selecionados para cada uma dessas modalidades. Por sua vez, os resumos dos relatos encontram-se na parte final dessa programação.

II. MINICURSOS
- O segundo bloco da ANPOF-EM será constituído de 5 minicursos. Segue abaixo uma indicação de cada minicurso com os temas, expositores e ementas.
1. Filosofia: do ensino à ensinagem. Professor Junot Cornélio Matos (UFPE).
EMENTA: O mini-curso deverá discutir a questão da ensinabilidade do Ensino de Filosofia fazendo uma discussão em torno da especificidade do ensino e das possibilidades de ensinagem da Filosofia enquanto componente pedagógica. As reflexões em torno da concepção de Filosofia e Escola serão constantes, pois, a primeira é fundamental para a organização do trabalho educacional, e a escola ponderando o seu cenário na atual configuração da educação escolar brasileiro.

2. A Potência Interdisciplinar da Lógica no Ensino Médio. Professoras Gisele Dalva Secco (UFRGS) e Nastassja Saramago Pugliese (UGA/EUA).
EMENTA: O minicurso visa aprimorar a capacitação de professores para ensinar lógica no contexto da disciplina de filosofia, além de oferecer argumentos que contribuam para uma melhor compreensão do papel da lógica no Ensino Médio a partir de sua potência interdisciplinar. Os encontros serão divididos em módulos progressivos. Começaremos com uma apresentação do problema da inserção da lógica no programa de um curso de filosofia no Ensino Médio, realizando uma breve revisão sobre as diferenças entre as lógicas aristotélica, sentencial e de predicados; ofereceremos critérios para auxiliar o processo de decisão sobre qual modelo de interpretação utilizar em sala de aula; prosseguiremos discutindo a potência interdisciplinar da lógica e mostrando suas vantagens para alguns objetivos gerais do ensino de filosofia (como o desenvolvimento das habilidades de leitura, escrita e crítica); a seguir, e a título de exemplo, realizaremos uma revisão dos conteúdos principais da lógica de predicados (noção de forma lógica, validade, propriedades de sentenças, conjuntos de sentenças, argumentos, modelos), apresentando uma variedade de estratégias para a construção de exercícios e avaliações; por fim, especificaremos os modos pelos quais se pode desenvolver a potência interdisciplinar da lógica, especialmente no caso de articulações entre a lógica de predicados, a Filosofia, a Língua Portuguesa e a Matemática.

3. A leitura de textos filosóficos no Ensino Médio. Professora Marta Vitória de Alencar (USP).
EMENTA: Voltado para atender demandas do ensino de filosofia em nível médio, este minicurso pretende apresentar estratégias didáticas de leitura e escrita que possam ser aplicadas a ampla variedade de textos filosóficos. Apresentaremos exercícios de leitura que propiciam a identificação da estrutura e organização textual pelo mapeamento do problema, conceitos e argumentos presentes no texto. Para tanto, o aluno deve ser capacitado a distinguir as noções de tema, problema e questão e concomitantemente decompor o texto em partes até reduzi-lo a unidades mínimas que o permitam a localização dos conceitos e argumentos. O objetivo da proposta é possibilitar o aluno de ensino médio alcançar a compreensão da filosofia como modalidade de pensamento ancorada na linguagem, que pode ser compreendida em sua especificidade a partir do manejo de textos filosóficos.

4. Perspectivas africanas para o ensino de filosofia. Professor Wanderson Flor do Nascimento (UNB).
EMENTA: 1. O contexto do ensino de filosofia frente ao artigo 26-A da LDB, que determina que o currículo do ensino fundamental e médio aborde conteúdos da história e cultura africana e afro-brasileira. 2. Questões metafilosóficas em torno da discussão sobre a existência das filosofias africanas. 3. Algumas perspectivas filosóficas africanas. 4. Discussões sobre a filosofia africana na história e a história das filosofias africanas. 5. Temas de filosofia africana: 5.1. A ética holista de ubuntu (de uma ontologia relacional aos valores éticos emanados de uma antropologia filosófica primazmente intersubjetiva); 5.2. A política do consenso tradicional: Kwasi Wiredu e Edward Wamada (percepções tradicionais africanas sobre a noção de consenso e suas relações com os conflitos e as formas de organização política); 5.3. Ontologias Bantas: Tempels, Kagame e Ramose; 5.4. Perspectivas epistemológicas: Kaphagawani & Malherbe; 5.5. A problematização das categorias ocidentais de gênero: Oyěwùmí e Eboh. 6. Perspectivas afro-pedagógicas para o ensino das filosofias africanas

5. Michel Foucault: História do Pensamento Filosófico X História da Filosofia. Professor Ernani Pinheiro Chaves (UFPA).
EMENTA: A partir da homenagem ao seu professor e mestre Jean Hyppolite, Michel Foucault faz uma distinção entre História do Pensamento Filosófico e História da Filosofia. Como sabemos, a matéria História da Filosofia faz parte do chamado “núcleo duro” do ensino da Filosofia, desde que esse ensino se tornou uma atividade universitária, visando a formação de professores. Ao problematizar, a partir de sua própria experiência como aluno de Hyppolite, o modo pelo qual a História da Filosofia é ensinada, Foucault também está refletindo acerca do seu próprio modo de trabalhar com e a partir da leitura dos outros filósofos. Nessa perspectiva, pretendemos mostrar a partir do modo como Foucault leu Platão nos seus últimos cursos no Collège de France, em que medida ele praticou, tal como seu mestre Hyppolite fez com Hegel, uma perspectiva de leitura e interpretação de um grande clássico, que levava em conta não a sua “filosofia”, mas sim o seu “pensamento”. Com isso, pretendemos por fim, problematizar o modo pelo qual a História da Filosofia se apresenta em alguns livros didáticos utilizados no ensino médio.
OBS.: Conforme pode ser visualizado na tabela abaixo, os minicursos serão ofertados na parte da manhã, das 8:00 às 10:00 horas, durante os cinco dias do evento.

III. SIMPÓSIO
- Fechando a programação, o simpósio será composto de apresentações e um debate sobre “as vinculações possíveis entre a pesquisa em filosofia e sobre o ensino de filosofia e a prática do professor de filosofia do ensino médio”. Farão exposições vinculadas ao tema e participarão da mesa de debates os professores Ronai Rocha (UFSM), Edgar Brito Lyra Neto (PUC-RJ) e também as professoras (Telma Birchal UFMG e Lidia Maria Rodrigo - UNICAMP – ambas por confirmar).
OBS.: O simpósio deverá ocorrer na quinta-feira, das 19:30 às 21:30 horas. Conforme consta na tabela abaixo.

Programação:



17 (segunda-feira)

18 (terça-feira)

19 (quarta-feira)

20 (quinta-feira)

21 (sexta-feira)

8h00 – 10h00



Minicursos

Minicursos

Minicursos



10h30



TL 1







11h00



TL 2







11h30



RD 1







12h00 – 13h00



Almoço







13:00



RD 2







13:30



RD 3







14:00



RD 4







14:30



RD 5







15:00



CR 1







15:30



Pausa para o café







16:00



CR 2







16:30



CR 3







17:00



CR 4







17:30



FP 1







18:00



FP 2



















19h30 - 21h30







Simpósio





Legenda 1 – sessões temáticas:



TL: tema livre



RD: recursos didáticos



CR: currículo



FP: formação de professores





Legenda 2

Expositores

Título do trabalho:



TL 1 - Joselaine da Ressurreição Perim A ética e a moral da sala de aula para a prática
TL 2  -

Gerri Sawaris / Marcos Antonio Madaloz Chimarrão e Filosofia
RD 1 - Leila Athaides da Rosa Produção de histórias em quadrinhos a partir da análise e interpretação de textos filosóficos
RD 3 -

Jâneo Maneol Venturini dos Santos

O que é a Sala dos Sentidos?

RD 4 -

Fabricio David De Queiroz O olhar filosófico do aluno através da câmera do seu celular
 5 -

Luis Fernando Lima e Silva O uso da ferramenta colaborativa padlet na aula de Filosofia
R 1 -

Thiago Rafael Santin Relato de orientação de pesquisas em filosofia no ensino médio

CR 3 -



João Paulo Ferreira Maia Interdisciplinaridade entre Filosofia e as Ciências Naturais

CR 4 -

Leila Lurdes Gerlach Riger Herança Africana, a lei 10.639/03 e o ensino de Filosofia: quais agenciamentos?

FP 1 -

Alessandra Aparecida de Melo PIBID : Do levantamento ao resultado ou a narrativa de uma intervenção

FP 2 -

Priscilla Sisto Dalmarco 

A Aplicação De Atividades De Teatro Nas Aulas De Filosofia



Seguem os resumos dos relatos a serem apresentados:
TL 1 -
Autora: Joselaine da Ressurreição Perim.
Título: A ética e a moral da sala de aula para a prática
Resumo:
O trabalho de filosofia na sala de aula necessita buscar recursos diversos, em que o professor/orientador deve procurar maneiras diversificadas para que o aluno interaja com a disciplina. Nessa busca, trabalhando de acordo com o Currículo Básico Comum das Escolas Publicas do Estado do Espirito Santo (CBC), no que se refere a 2° série do Ensino Médio Regular, o qual prevê o ensino de Moral, resolvi eu trabalhar a teoria em sala de aula utilizando o livro didático escolhido através do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) 2015 a2017 e solicitar aos alunos a prática, na verdade, um momento de pesquisa de campo, onde os educandos utilizariam de seus conhecimentos para indagar as diversas pessoas sobre o que é ética e o que é moral? Assim, divididos em grupos, os alunos partiram em busca de voluntários que permitissem a filmagem dessa reportagem de rua, onde as mais diversas respostas poderiam surgir. A surpresa ocorreu, quando os grupos resolveram pesquisar/indagar pessoas de referencia como os funcionários da câmara de vereadores e os vereadores; secretários do município, professores de outras disciplinas e escolas; policiais e demais funcionários da delegacia; médicos e alunos. O retorno deste trabalho foi gratificante tanto para esta educadora que relata esta experiência, quanto para os educandos, que obtiveram a percepção da pratica, ou seja, relacionaram a teoria e a vivicidade das pessoas de acordo com sua moradia, emprego e posição social. A percepção de que a família, a historicidade, o espaço onde cada ser vivo e mantém sua rotina é de fundamental importância para ofertar a ideia de moral do individuo e vivenciar, experimentar através da entrevista os pontos de vista “de fora” do conceito de verdade que cada componente do grupo vivencia, os levaram a perceber que a diversidade é muito maior do que o “olhar” desses jovens/adolescentes poderiam imaginar. A culminância do projeto, se deu em vermos juntos os vídeos em sala de aula, relatar as dificuldades para a produção do mesmo e refletir com as respostas de cada individuo que disponibilizou para a entrevista. O debate deste trabalho possibilitou uma interação maior entre a educadora e os educandos, estes estão mais focados na disciplina, estabelecendo argumentos/conceitos e ansiosos pelo próximo trimestre, onde o tema será poliítica.

TL 2 -
Autor: Gerri Sawaris / Marcos Antonio Madaloz
Título: Chimarrão e Filosofia
Resumo:
Foi criado em junho de 2014, o grupo denominado Chimarrão e Filosofia, junto à Escola Estadual de Ensino Médio São José. Com o objetivo de ser eclético, plural, democrático e acima de tudo livre, visa encontros para debater ideias, conversar, dissertar e falar da vida na cidade, dos homens e do mundo em geral. Esses encontros acontecem mensalmente nas primeiras quartas-feiras, das 19h às 21horas. O que permeia a discussão é o viés filosófico, articulado com a interdisciplinaridade com outras áreas do pensamento, pois é natural da filosofia dar esse suporte as demais disciplinas. Os assuntos que são tratados, bem como convidados, quando isso se faz necessário, são definidos pelos próprios participantes ao final do encontro, quando se faz a pauta do encontro seguinte. Aquele que teve sua proposta aprovada fica responsável para fazer a motivação e apresentar o evento no encontro seguinte. A cada encontro, é feita a memória com o registro das atividades em uma ata. No dia do evento, todos os alunos da escola são lembrados que vai acontecer mais uma edição do chimarrão e filosofia. Nesse ano e meio de atividades, podemos avaliar como positiva a experiência, pois muitos alunos passaram pelo evento. Vários permanecem conosco até hoje e alguns já deixaram a escola e estão cursando faculdade, para nossa surpresa, temos duas alunas que ingressaram no curso de filosofia e outros no curso de história, o que em nosso entender foi motivado por essa metodologia de fomentar o pensamento e a livre expressão da palavra através do chimarrão e filosofia.

RD 1 –
Autora: Leila Athaides da Rosa
Título:Produção de histórias em quadrinhos a partir da análise e interpretação de textos filosóficos
Resumo:
O seguinte trabalho tem como objetivo, despertar nos estudantes o gosto pela leitura dos textos clássicos filosóficos de uma maneira prazerosa e contínua, para que dessa maneira eles possam se promover no sentido de expandir cada vez mais a sua visão crítica cotidiana e perceber a importância da filosofia em nosso contexto. Trata-se da leitura dos textos por parte dos alunos e da produção, pelos mesmos, de histórias em quadrinhos. A leitura do texto proposto acontece em sala de aula por toda a turma ( 2° e 3° anos do ensino médio), nesse primeiro momento ocorre também a discussão em torno do texto, e as conclusões e percepções à cerca dos mesmos são anotadas, para futuramente auxiliarem na construção dos diálogos. É evidente, que em grande parte dos casos, os estudantes precisam dar continuidade à leitura em outros ambientes, devido ao pouco tempo em sala de aula. Cada turma fica responsável pela produção de histórias em quadrinhos do texto trabalhado no bimestre, sendo que todos os trabalhos produzidos são avaliados pelos próprios estudantes e corrigidos pela professora, sendo exposto apenas um trabalho referente ao 2° ano e outro referente ao 3°ano do ensino médio. Os textos clássicos já estudados, trabalhados e prontos nesse formato pelos estudantes em questão, são: - O Mito da Caverna, de Platão O Senhor e o Escravo, de Hegel Resposta à pergunta: O que é Esclarecimento, de Kant E está em andamento a produção de dois outros trabalhos, com base nos textos: A Indiferença, de Gramsci Segunda Meditação, de Descartes O resultado desse trabalho é bastante interessante e compensador, visto que, ocorre a estimulação da leitura àqueles que irão produzir o trabalho e também pelos alunos e demais pessoas que transitam pela escola, que ao verem as histórias expostas se interessem em parar para ler, pois a parte visual produzida é bastante atraente, ora em formato de banner, ora exposto em folha A4. Desse modo, mais pessoas acabam por ter contato com a leitura, mesmo que de forma intermediária, com alguns dos principais clássicos da filosofia, obtendo uma compreensão maior de seu cotidiano enquanto protagonistas de suas vidas, percepção essa, que é fruto da aproximação com a filosofia. Referências Universidade de São Paulo, textos. O Mito da Caverna. Disponível em: www.usp.br/nce/wcp/arq/textos/203.pdf HEGEL, G.W.F. Fenomenologia do Espírito. Tradução de Paulo Meneses com colaboração de Karl-Heinz Efken. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1992. KANT, Immanuel. Resposta à questão: O que é esclarecimento?. In: MARÇAL, Jairo. Antologia de Textos Filosóficos, Curitiba: SEED, 2009, p. 406 à 415. GRAMSCI, Antônio. A Indiferença. In: MARÇAL, Jairo. Antologia de Textos Filosóficos, Curitiba: SEED, 2009, p.269, 269. DESCARTES, René. Segunda Meditação. In: MARÇAL, Jairo. Antologia de Textos Filosóficos, Curitiba: SEED, 2009, p. 160 à 165.

RD 3 -
Autor: Jâneo Maneol Venturini dos Santos
Título: O que é a Sala dos Sentidos?
Resumo:
A Sala dos Sentidos é um recurso didático construído com o objetivo de sensibilizar os estudantes para a discussão e problematização acerca das principais teorias do conhecimento no ensino da filosofia no nível médio. A sala possibilita que os estudantes tenha contato com um espaço repleto de objetos e situações que estimulem o trabalho, o desenvolvimento e as experiências pelos nossos sentidos. Os estudantes vivenciam o espaço com os olhos vendados, por cerca de 30 a 45 minutos, por meio da mediação do professor e demais colaboradores. A ideia é que posterior à experiência, estes estudantes possam iniciar tentativas que problematizem as diferentes formas de entendimento e compreensão dos objetos, das situações e dos sentidos possibilitadas pela sala. O desafio filosófico estará lançado, para que a partir dele o professor comece o exercício de mediação e reflexão junto aos seus estudantes sobre o que é conhecer e as diferentes formas de compreensão da realidade. A sala chama-se dos sentidos, mas não tem como objetivo somente o trabalho acerca do empirismo, da experiência e dos sentidos. Ela é um recurso que possibilita ir além, pois para entender o que se passa em seu espaço não basta somente a experiência dos sentidos, mas algo que entenda aquilo que se vivencia. Portanto, o recurso didático Sala dos Sentidos é um propulsor para a discussão das diferentes teorias do conhecimento. Por meio dele, podemos dialogar e refletir sobre o empirismo, o racionalismo e até mesmo o idealismo transcendental. A problemática do conhecimento de autores como Hume, Descartes e Kant tornam-se mais compreensíveis ao entendimento no nível médio.

RD 4 -
Autor: Fabricio David De Queiroz
Título: O olhar filosófico do aluno através da câmera do seu celular
Resumo:
Há um conflito flagrante testemunhado em sala de aula na escola pública entre o olhar filosófico do aluno e a realidade representada pela escola. Mais do que expectativa de aprendizagem do planejamento didático de todo professor de filosofia no ensino médio, a reflexão filosófica é condição sine qua non do trabalho pedagógico para o ensino de filosofia. Dentro da sala de aula a indisciplina, a dispersividade, a desmotivação, acometem o corpo discente em geral como sintomas de uma crise da razão, e vão de encontro aos tradicionais procedimentos metodológicos de leitura e reflexão, sobretudo, a escola contemporânea se constitui lócus estéril para a leitura e estudo de textos não-didáticos, o que compromete a atividade reflexiva a partir de questões filosóficas. Entretanto, o paradigma racionalista a ser investigado criticamente neste relato de experiência, pode ser discutido a partir da análise filosófica do olhar, o sentido humano mais valorizado na era digital. O esforço aqui é o da análise do procedimento metodológico de produção de vídeos com celular na aula de filosofia, assim, problematiza-se a atividade reflexiva instrumentalizada a fim de pensar a inovação de recursos didáticos e sua interferência na situação epistemológica e cultural dos estudantes.

RD 5 -
Autor: Luis Fernando Lima e Silva
Título: O uso da ferramenta colaborativa padlet na aula de Filosofia
Resumo:
Este breve relato é decorrente de uma experimentação didática nas aulas de filosofia do 1º ano do ensino médio técnico e regular do Colégio Paulista – COPI – situado no bairro da Aclimação em São Paulo. A prática se centra no uso da ferramenta digital padlet. Neste ambiente virtual é possível a criação coletiva e assíncrona de um painel eletrônico. Nas configurações do painel, os autores vão além de incluir e escrever textos: são capazes de personalizar a tela de fundo, incluir vídeos, áudios e imagens. Essa ferramenta digital, a princípio, pode ser utilizada como repositório de conteúdo. Contudo, na prática desenvolvida com os alunos do 1º ano, o painel refletiu não somente uma pesquisa em grupo dos alunos, como também possibilitou que eles expressassem seu entendimento sobre o conteúdo estudado de maneira personalizada e dinâmica. Dentre os conteúdos trabalhados adotamos duas abordagens de ensino de filosofia distintas: uma centrada na história da filosofia (1º ano de ensino médio técnico) e outra a partir de um eixo temático (1º ano do ensino médio regular). A primeira restringiu-se a contemplar de maneira sucinta as condições históricas do surgimento da filosofia e alguns dos filósofos pré-socráticos (Tales, Anaximandro, Anaxímenes, Parmênides e Heráclito), enquanto que na segunda, o tema foi a liberdade (a escolha desse tema foi norteada pelo material didático disponibilizado aos alunos). A prática didática foi desenvolvia ao longo de 3 aulas (o que corresponde a quase um mês de aula, dado que os alunos possuem apenas 1 aula semanal de filosofia, com duração de 50 minutos) e se deu na sequência abaixo descrita, em ambos os casos: 1. Leitura de texto preliminar sobre o assunto; 2. Exposição do conteúdo pelo professor; 3. Os alunos foram separados em grupos de até 5 integrantes. Posteriormente foi explicado do uso da ferramenta padlet e dadas as orientações de como deveria ser realizada a atividade; 4. Confecção do padlet (fora do período de aula). Nesta experimentação didática percebemos uma participação significativa dos alunos no desenvolvimento do painel, dada a possibilidade de cada grupo personalizar e sistematizar, a sua maneira, o conteúdo estudado, além de construir um ambiente revisional para as provas. Por fim, acreditamos que esta experimentação didática é relevante dado o contexto em que ela emerge, que é a realidade de muitas escolas particulares nas quais o uso de recurso tecnológico é parte integrante do currículo pedagógico escolar e as aulas de filosofia ocupam reduzido espaço na grade de disciplinas, sendo em muitos casos, apenas 1 aula semanal (embora possua uma gama de conteúdo extremamente vasto), o que exige do professor de filosofia uma flexibilidade didática e o uso inteligente de novas ferramentas digitais no desenvolvimento de sua práticas.

CR 1 -
Autor: Thiago Rafael Santin
Título: Relato de orientação de pesquisas em filosofia no ensino médio
Resumo:
Este relato é sobre orientação de pesquisas de ensino médio, apresentadas em 2015, na Feira de Iniciação à Pesquisa (FIP), da Escola de Aplicação da FEEVALE, em Novo Hamburgo, RS. A FIP é um evento anual, nos moldes dos consagrados salões de iniciação científica. A feira é aberta à comunidade e objetiva a apresentação de pesquisas realizadas por estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do médio, acerca de temas escolhidos por eles e com orientação dos professores. O orientador deve acompanhar os estudantes na seleção, leitura e interpretação da bibliografia, produção de instrumentos e experimentos, coleta de dados e registros, bem como na produção de relatório dos resultados. Tudo deve ser apresentado na Feira, através de poster e de apresentação oral ou experimental. Na filosofia houve 11 projetos, com 27 estudantes, dentre os quais: Gênero e não binários, Vida após a morte e regressão, Crença no horóscopo, Psicopatia e testes psicológicos, Religiões e sua propagação. Os temas apontam para a extrapolação da disciplina, exigindo abordagens multi, trans ou interdisciplinares. Conhecimentos de psicologia, história, economia e outros, foram necessários para o desenvolvimento das pesquisas. Professores de outras disciplinas atuaram como co-orientadores em cinco grupos. Um dos trabalhos, ”Automação, trabalho e sociedade”, foi orientado conjuntamente com o professor de sociologia. O estudante buscou desenvolver análise dos efeitos da automação no mundo do trabalho, para a sociedade civil e para o estado - objetivo bastante complexo de análise da economia em relação à política, que se enquadra em uma discussão maior, na realidade da cidade, que tem forte histórico industrial. Em filosofia, foi recomendada a leitura de excertos de algumas obras: A república, de Platão, O leviatã, de Hobbes, e O contrato social, de Rousseau. A orientação focou-se em estabelecer a compreensão dos conceitos políticos para fundamentar as noções de estado e sociedade civil na qual o fenômeno econômico da automação toma parte. Em sociologia, o professor recomendou a leitura de O ócio criativo, de De Masi, O manifesto do partido comunista, de Marx, e Vigiar e punir, de Foucault. As leituras visavam trazer conceitos para fundamentar a relação entre economia e política. De um modo geral, a filosofia serviu para dar distanciamento do objeto de pesquisa, conseguindo um olhar crítico que diferenciou a pesquisa de abordagem empírica descritiva, qualitativa ou quantitativa. Pensamos, assim, que a filosofia pode ter papel privilegiado em relação às demais disciplinas, ao ter abrangência mais vasta e, por conseguinte, maior possibilidade de interação e diálogo com áreas de conhecimento muito distintas entre si. A escolha da filosofia também indica a percepção pelos estudantes da capacidade da disciplina em lidar com problemas e temas do cotidiano, que podem ser trabalhados com a reflexão crítica, conjuntamente com saberes disciplinares específicos.

CR 3 -
Autor: João Paulo Ferreira Maia
Título: Interdisciplinaridade entre Filosofia e as Ciências Naturais
Resumo:
O objetivo do presente trabalho foi mostrar como é possível a interdisciplinaridade entre a filosofia e as ciências naturais, relacionando a filosofia da ciência e a física, química e biologia, mais especificamente assuntos como as leis de Newton, os modelos atômicos e a evolução das espécies. Para tanto é necessário: analisar os livros didáticos do primeiro ano do ensino médio e alguns do ensino fundamental, entrevistar professores dessas disciplinas. Assim poderemos dar uma luz aos professores que tratam desse tema e como buscar a interdisciplinaridade em suas escolas, o que já é previsto na legislação em relação à filosofia.

CR 4 -
Autora: Leila Lurdes Gerlach Riger
Título: Herança Africana, a lei 10.639/03 e o ensino de Filosofia: quais agenciamentos?
Resumo:
O trabalho que pretendo apresentar foi coordenado por mim, professora Leila Riger (Filosofia) e os professores Leonardo Gomes (Sociologia) e Márcio Costa (História). Ele partiu da proposta de lei 10.639, que sancionou a obrigatoriedade do ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira e envolveu os alunos do primeiro ano do Ensino Médio numa experiência interdisciplinar do tema. A partir da visita ao Cais do Valongo, à Pedra do Sal, ao Cemitério dos Pretos Novos, ao Centro Cultural José Bonifácio e ao Jardim suspenso do Valongo, na região denominada por Heitor dos Prazeres "Pequena África" devido a sua importância para a cultura negra no Brasil, as turmas elaboraram uma apresentação que envolvia pesquisa histórica e filosófica, elaboração de maquetes sobre a área, investigação sobre a dança, música e culinária negras, produção de um jornal e análise de fotografias dos locais visitados.

FP 1 -
Autora: Alessandra Aparecida de Melo
Título: PIBID : Do levantamento ao resultado ou a narrativa de uma intervenção
Resumo:
Durante o ido ano de 2015 e o atual ano de 2016 o Programa PIBID Filosofia da UNICAMP criou acontecimentos na sala de aula das escolas Francisco Álvares e Adalberto Prado e Silva da rede pública da cidade de Campinas, possibilitando o trabalho com conceitos filosóficos. Ao ver a sala de aula como uma unidade de pesquisa e intervir no ambiente escolar abordou a estrutura conceitual do texto filosófico e sua redação. O programa que atua no aprimoramento de licenciandos em Filosofia levou e ainda leva temas relevantes da atualidade vinculados a problemas filosóficos. Em etapas progressivas o trabalho realizado pelos bolsistas em conjunto com a supervisão e coordenação do programa reconheceu as escolas- desde sua estrutura física até o mapeamento das relações humanas- visou a compreensão da cultura da escola, levantamento das expectativas dos envolvidos em relação ao programa PIBID e a elaboração do plano de ação que foi realizado em conjunto com os alunos do ensino médio. Em cursos ministrados sempre por uma dupla a estrutura conceitual, trazendo como estratégia de sensibilização a notícia da repressão policial para com a uma transexual chamada Verônica que ocorreu em abril de 2015 os pibidianos- como os chamamos carinhosamente- puseram em prática o plano de ação e por meio da produção de textos, mensagens, rodas de conversas e produção textual com interviram no ambiente escolar. Os resultados surpreendentes!!!

FP 2 -
Autora: Priscilla Sisto Dalmarco
Título: A aplicação de atividades de teatro nas aulas de filosofia
Resumo:
O PIBID FILOSOFIA 3 da UFPR tem utilizado esta prática desde 2014. Com releituras de Platão, Iluministas e Nietzsche, observamos que a participação dos alunos tem sido maior com a apresentação de teatros. Fizemos várias formas de representações teatrais, tais como teatro, musicais, radionovela e jogos de RPG (Roling Played Game). Os alunos, a partir da leitura de textos clássicos, buscam também em dicionários e artigos a melhor forma de representar o conceito solicitado pela equipe do PIBID, de acordo com o planejamento pedagógico do professor e do colégio. Aplicamos as atividades no ano de 2014, 2015 e 2016. Em cada ano a atividade aconteceu de uma forma diferente, pois por mais que a teoria fosse a mesma, eventualidades como greves e doença por parte da supervisora, mostraram como as situações de explicação e estimulo de aula/trabalho podem ser levadas e trabalhadas junto aos alunos. Pode-se concluir que a participação do professor e do PIBID faz a diferença na entrega final do trabalho. Outro dado que percebemos é que a disponibilidade do colégio, quanto a infraestrutura, não é um problema, mesmo sem o espaço do teatro ou salão nobre, como chamam, não é algo que prejudique a busca dos alunos. Percebemos que a verba disponibilizada pela CAPES, através do PIBID faz a diferença quanto aos recursos oferecidos aos alunos para o desenvolvimento de teatros. Os alunos se sentem mais motivados, reconhecidos e sempre pedem mais atividades lúdicas como esta. O resultado da sequencia de teatros apresentados pelos alunos pode ser conferido no link abaixo: http://prezi.com/svtanixnui5t/?utm_campaign=share&utm_medium=copy

Observação: Nos horários vagos da programação da ANPOF-EM, seus participantes são direcionados para atividades do Encontro Nacional de Filosofia da ANPOF, em especial aquelas ligadas ao GT Filosofar e ensinar a filosofar, que tem um papel formador importante para os professores da disciplina de filosofia no ensino médio.
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