BNCC: para professor Edgar Lyra, formação básica não deve ter o mercado de trabalho como termo

Na quinta-feira da última semana (6/4) o Ministério da Educação apresentou a Base Nacional Comum Curricular. O texto entregue ao Conselho Nacional de Educação trata da educação infantil e do Ensino Fundamental. O texto do Ensino Médio, que interessa especialmente os professores de Filosofia, deve ser entregue até o fim deste ano. O texto esteve aberto a contribuições entre 2015 e março de 2016. O professor Edgar Lyra (PUC/RJ), em entrevista para o portal da Anpof, comenta o texto que foi entregue pelo MEC, como avalia o processo e opina como deveria ser a BNCC.

Nesta entrevista, ele comenta sobre a legitimidade das instituições privadas no debate da construção do texto, mas critica o protagonismo que assumiu o interesse privado com a troca de governo e como gestores privados tornaram-se porta-vozes, na imprensa, do discurso em torno do fracasso do ensino médio brasileiro e o esgotamento do seu atual modelo.
 

Na esteira dessa discussão, ele aborda a MP 746, já aprovada e considera “imprudente” o que chamaram de “coragem” ao colocarem esse debate reduzido à canetada de uma medida provisória. A partir desta aprovação, ele adianta sua reflexão sobre o que deve vir a ser o texto da BNCC que trata do Ensino Médio. A “flexibilização” proposta, segundo Lyra, deve atender muito mais a interesses de formação abreviada para o mercado de trabalho que à chamada “educação integral”. Para ele, a BNCC deveria ser resultado de um processo paciente e participativo. Entenda ainda, nas respostas do professor Edgar, o que é a BNCC e o que ela pretende.

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Bate-papo feminista: Yara Frateschi (Unicamp)

“Por quais razões as mulheres têm a tendência de não permanecer nos ambientes de pesquisa filosófica? Chegou a hora de pensarmos sobre isso”

Sobre a escrivaninha dela estão três filósofas: Seyla Benhabib, Nancy Fraser e Hannah Arendt. A escolha não foi deliberada, segundo a professora da Unicamp. No entanto, todas se perguntam pelas condições do aprofundamento da democracia. Para Yara Frateschi, não é mais possível que as teorias da democracia desconsiderem os obstáculos à emancipação da mulher. Assim como não é mais possível nos furtarmos, no Brasil, a uma investigação das causas da sub-representação feminina nos Departamentos de Filosofia e na pesquisa.

“Por quais razões as mulheres têm a tendência de não permanecer nos ambientes de pesquisa filosófica?”. Para Yara Frateschi, esta é uma pergunta que devemos fazer às próprias mulheres: são elas que têm que dizer. “A escuta nos permitirá compreender os efetivos obstáculos materiais e simbólicos ao desenvolvimento da pesquisa filosófica por mulheres e à ocupação de cargos de docência”. Frateschi, contudo, é otimista: para ela chega na Universidade um movimento organizado de mulheres que reivindicam políticas públicas e ações afirmativas que corrijam a histórica desigualdade de gênero.

“O que acontece hoje na Universidade é muito positivo a esse respeito: uma tendência e uma série de reivindicações que nascem na sociedade, tomam corpo nos movimentos sociais e invadem o ambiente acadêmico”. Ela aposta que o feminismo chegou para ficar na academia, sem acreditar, contudo, num modo “feminino” de fazer filosofia. Veja abaixo entrevista da professora Yara Frateschi, especial para Anpof nesta semana das mulheres. Yara é professora da Universidade Estadual de Campinas, graduada, mestre, doutora e pós-doutora em Filosofia pela Universidade de São Paulo. Também foi pesquisadora visitante na Columbia University (2000), na ENS de Paris (2006), na Yale University (2016).

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Entrevista com Antônio Edmilson Paschoal sobre a criação do PROF-Filosofia

ANPOF - Quais as linhas de pesquisa do Programa e o que você diria que define a sua identidade?

Tendo em vista a oportunidade oferecida pela ANPOF de divulgar o PROF-FILO à comunidade acadêmica, vou proceder de forma o mais oficial possível nas respostas, de tal modo que o material aqui publicado seja útil não somente para os interessados no conjunto da área de filosofia, mas também para aqueles que tem interesse direto pelo PROF, como futuros acadêmicos do curso.

Começo pela identidade própria do Mestrado Profissional em Filosofia (PROF-FILO). Trata-se de um programa de pós-graduação destinado a ofertar um curso de mestrado em Filosofia, na modalidade mestrado profissional, em rede, com abrangência nacional, e que tem como público alvo os professores de Filosofia na Educação Básica, preferencialmente aqueles que atuam nas escolas das redes públicas de ensino.

Sua área de concentração, outro ponto que define a sua identidade, é o “Ensino de Filosofia”. O PROF-FILO tem como objeto de estudos a Filosofia enquanto um componente curricular no Ensino Fundamental e em especial no Ensino Médio. Ou seja, a Filosofia pensada por seu caráter formativo e inserida em processos didático-pedagógicos. Um objetivo que faz coro, assim, com as tarefas de consolidação progressiva da disciplina de Filosofia como um componente curricular, em especial pelo efetivo aporte de instrumentos conceituais de reflexão, escrita e argumentação a serem produzidos.

O PROF-FILO tem duas linhas de pesquisa:

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Entrevista com Jairo Dias Carvalho sobre a criação do GT Filosofia da Tecnologia e da Técnica

ANPOF: Quais os temas que o GT se propõe a debater?

JAIRO: O GT se propõe a debater o tema da tecnologia e da técnica do ponto de vista ético, político, estético, ontológico e epistemológico em interface interdisciplinar. As reflexões se articularão em dois níveis: 1) considerações sobre o sentido da atividade humana da técnica e da tecnologia; 2) considerações sobre o que a tecnologia faz enquanto atividade e enquanto produto. Os temas se referem às abordagens da história da filosofia sobre a técnica e a tecnologia; às análises dos objetos técnicos dos mais variados tipos como os organismos geneticamente modificados, a inteligência artificial, os dispositivos nano tecnológicos, os organismos cibernéticos e outros, além das implicações multidimensionais das tecnociências. Outros temas são: a diferença entre técnica e tecnologia, o estatuto de realidade dos objetos técnicos e suas relações com os processos de subjetivação, além dos temas acerca do conjunto de objetos, atividades e procedimentos envolvidos na atividade tecnológica, do ser dos artefatos, sobre a sua naturalidade e artificialidade, sobre sua dinâmica utópica, seu potencial político, sua presença na literatura, suas promessas, seus êxitos, seus riscos, seu controle e sua autonomia, sua neutralidade e seu destino determinista; além de temas relacionados à análise de objetos técnicos determinados, ao problema do design, da tecnoestética e da regulação, bem como às suas relações com a economia, a política e a cultura.

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Entrevista com Rafael Mello Barbosa criação do Programa de Mestrado Profissional em Filosofia e Ensino do CEFET-RJ

Agradeço à diretoria da ANPOF, em especial ao seu atual diretor, Dr. Marcelo Carvalho, que gentilmente realizaram esta entrevista, a qual nos permite apresentar um pouco do nosso trabalho a toda comunidade de professores e pesquisadores de filosofia do país.

Gostaria igualmente de agradecer ao incentivo e apoio do Dr. Carlos Henrique Figueiredo, Diretor Geral do CEFET/RJ, e ao Dr. Pedro Calas Manuel, Diretor de Pesquisa e Pós-Graduação do CEFET/RJ.

Por último, gostaria de agradecer a todos os professores do CEFET-RJ e os das instituições parceiras que vêm colaborando de formas variadas para a criação e para o sucesso do programa[1].

ANPOF: Quais as linhas de pesquisa do Programa e o que você diria que define a sua identidade?

Rafael: A preocupação com a reflexão sobre ser professor de filosofia é o ponto de articulação do qual derivam as linhas de pesquisa, as disciplinas do programa e é o que reúne professores e estudantes. Ser professor de filosofia é uma questão por vezes deixada de lado, como sendo de menor importância, contudo, para os professores que compõem o quadro docente deste programa, esta questão é percebida como constitutiva do que fazemos e acabamos por ser.

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Bate-papo feminista: Carolina de Araújo (UFRJ)

No ano de 2015, uma pesquisa inédita revelou como a presença das mulheres na Filosofia diminui no percurso entre a graduação até a docência. Este trabalho foi realizado pela professora do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Carolina Araújo. 

Ela comparou a proporção de homens e mulheres no curso em três momentos distintos da carreira: mestrado, doutorado e docência. Sua conclusão foi de que a proporção de mulheres cai durante a pós-graduação e ao longo da carreira docente. Em 2015, as matrículas de alunas no mestrado e doutorado respondiam por 28,45% do total em 2015. O número diminui mais quando se trata das docentes permanentes: 20,94% de mulheres.

Para realizar estre trabalho ela utilizou os dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), segundo os quais, entre os graduados em filosofia no Brasil em 2014, 38,4% eram do sexo feminino. Em seguida, compilou os nomes de 4.437 alunos e docentes dos 44 programas de pós-graduação em filosofia do país registrados na Plataforma Sucupira, banco de dados mantido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) que fornece dados sobre a comunidade acadêmica brasileira.

Esta pesquisa inspirou as mulheres da área e, em 2016, foi discutida no GT de Filosofia e Gênero do Encontro da Anpof. Nesta semana das mulheres, damos mais uma vez destaque a este inédito trabalho de Carolina. Abaixo, veja o bate-papo com ela sobre esse trabalho e como ela compreende a presença da mulher na Filosofia.

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Entrevista com Samuel Simon sobre a criação do doutorado da UnB

ANPOF - Quais as linhas de pesquisa do Programa e o que você diria que define a sua identidade?

O Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade de Brasília (PPG-FIL/UnB) foi criado em 1999 e iniciou suas atividades em 2000. Após anos de intenso trabalho coletivo na busca de consolidação, o PPG-FIL/UnB obteve a nota quatro na avaliação trienal da CAPES publicada em 2013. Com esse resultado, o programa entendeu que era hora de propor a criação de um Doutorado em Filosofia na UnB, aproveitando-se a experiência acumulada em todos esses anos, o apoio institucional e a infraestrutura da UnB, a produção intelectual crescente e a experiência do corpo docente. A proposta encaminhada à CAPES em 2014 mantinha a mesma estrutura do curso que já estava consolidada havia dez anos: área de concentração em Filosofia, dividida em cinco linhas de pesquisa (“Teoria do Conhecimento e Filosofia da Ciência”, “Lógica, Linguagem e Filosofia da Mente”, “Ética e Filosofia Política”, “Filosofia Antiga e Medieval” e “Filosofia da Religião”), com um mínimo de disciplinas a serem cursadas pelos estudantes, dando-se uma ênfase no trabalho de pesquisa na formação do pós-graduando. No entanto, seguindo uma recomendação posterior da CAPES, foi mantida a área de concentração em Filosofia, mas as linhas do Programa foram redefinidas em três: Epistemologia, Lógica e Metafísica; Ética, Filosofia Política e Filosofia da Religião; História da Filosofia. Essa reformulação tornou as linhas mais fiéis à pesquisa que vem sendo desenvolvida pelo corpo docente do PPG-FIL/UnB. Nesse sentido, penso que a identidade do Programa, agora também com o Doutorado, aprovado este ano, pode ser definida por uma proposta institucional e um projeto de pesquisa filosófica de excelência, evidentemente aliada a um ensino de qualidade.

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Entrevista com Arthur Araújo sobre a criação do GT Semiótica e Pragmatismo

ANPOF:  Quais os temas que o GT se propõe a debater?

ARTHUR: O núcleo temático do GT é Semiótica e Pragmatismo. O objetivo é debater e agregar ao GT uma comunidade de pesquisadores com interesses e afinidades teóricos entre diferentes domínios da História da Filosofia (epistemologia, linguagem, mente, política, hermenêutica, arte, etc.). Assim não somente questões fundacionais de Semiótica e Pragmatismo desde Peirce, James e Dewey, mas, também o desenvolvimento e o desdobramento dessa perspectiva, ao longo do longo o Século XX, entre diferentes domínios filosóficos constituem os temas de interesse e debate do GT. É oportuno destacar também que a proposta de debate do GT Semiótica e Pragmatismo é ampla e plural e visa atrair diferentes contribuições teóricas.

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Entrevista com Gabriele Cornelli sobre a criação do novo programa de mestrado da UnB

 fevereiro de 2016

ANPOF - Quais as linhas de pesquisa do Programa e o que você diria que define a sua identidade?

CORNELLI: O Programa de Pós-Graduação em Metafísica se origina do trabalho desenvolvido há anos por diferentes grupos de pesquisa, em vários Departamentos e Programas de Pós-Graduação da Universidade de Brasília, por professores que, embora em sua grande maioria estejam vinculados à área de Filosofia, possuem formação e atuação inter, trans e multidisciplinar. Trata-se de um programa metodologicamente plural, que quer enfrentar o desafio da integração dos saberes para pensar as questões e problemas tradicionais da Metafísica enquanto fio condutor da História da Filosofia. Essa orientação não se faz de modo fortuito, mas na própria estrutura da pesquisa: não se pretende criar, em abstrato, um “lugar entre” as disciplinas, mas, partindo de um determinado campo de estudos, com o propósito de transcendê-lo. A ideia é portanto aquela de tomar o cerne metafísico do pensamento filosófico e abri-lo para a contribuição dos outros campos do saber. Assim, a natureza radicalmente metafísica do Programa se manifesta também na sua dimensão metodológica. Pela verdade, os problemas metafísicos, mesmo que implicitamente, já se encontram latentes nas diversas áreas de saber. A ideia é estudá-los em estreita conexão com estas mesmas áreas, apreendendo suas práticas teóricas e as tentativas de resposta aos problemas metafísicos que estas proporcionaram. Nossa proposta formativa é de permitir aos alunos de abordar as questões metafísicas na interação destas com os problemas humanos, Os projetos a serem desenvolvidos estarão, por isso, situados nas margens das áreas disciplinares tradicionalmente estabelecidas.”

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Entrevista com Daniel Durante sobre a criação do doutorado da UFRN

ANPOF - Quais as linhas de pesquisa do Programa e o que você diria que define a sua identidade?

As linhas de pesquisa são duas: Metafísica e Lógica; Ética e Filosofia Política. A linha de pesquisa de Metafísica e Lógica tem como foco principal as pesquisas em Metafísica e Lógica, esta linha pode abrigar também pesquisas cujos temas se desdobram e interconectam com as outras especialidades do que se convencionou chamar de Filosofia Teórica, que inclui Epistemologia, Filosofia da Linguagem, Filosofia da Mente, Filosofia da Ciência. Compreende abordagens tanto históricas quanto analíticas de questões relacionadas com o pensamento e a teorização em geral, tais como o problema e a natureza do ser; os primeiros princípios; o ente supremo; verdade, validade e demonstração; razão e inferência; substância e modalidade; existência e significado; metalógica, metametafísica e metaontologia; conhecimento e informação; o físico e o mental; tempo e espaço; o livre arbítrio; etc. Centrada nestas questões da Metafísica e da Lógica, a linha as extrapola e abrange também suas conexões com as demais especialidades da Filosofia Teórica.

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