17/05/2021

XVIII Seminário Internacional Archai - Novas Agendas para os Estudos Clássicos: Raça e Ecologia

Universidade de Brasília (online)

Os clássicos como disciplina surgiram numa época em que os Estados europeus encontravam-se altamente nacionalizados e investindo fortemente em impérios estrangeiros. Até que ponto a disciplina ainda carrega em seu DNA os preconceitos daquela época? E será que novas estratégias disciplinares e novos ângulos de visão sobre o mundo antigo podem ajudar a reescrever esses códigos? Muita energia recente tem sido dedicada a explorar as formas pelas quais as narrativas da "civilização ocidental" (que tipicamente tomam a Grécia antiga como seu ponto de origem) sustentam ou não o supremacismo branco, o nacionalismo e o irredentismo. Vamos adotar uma abordagem diferente, em busca, em vez disso, de quão 'racializadas' eram as coletividades construídas na Antiguidade, e até que ponto elas mapeiam ou não as narrativas modernas. Vamos focar em três áreas principais: o debate moderno sobre a policromia em estatuária antiga (e arte em geral); a função da diferenciação pela cor da pele na antiguidade (é algo mais complexo do que normalmente se pensa, e muda ao longo do tempo); e o papel da genética nos discursos sobre a "raça" grega.
O mundo clássico tem sido frequentemente associado a uma visão de mundo estritamente humanista. “Um humano é a medida de todas as coisas", escreveu Protágoras famosamente; "um humano" foi a resposta ao enigma da Esfinge, a mesma resolvida por Édipo. A tradição clássica, além disso, tem sido associada desde o Iluminismo com um elevado racionalismo. O pós-humanismo moderno, pelo contrário, procura deslocar os humanos do centro moral, para realçar o deslocamento de fronteiras entre humanos e animais, e humanos e máquinas. Muito desse pensamento pós-humano tem sido desenvolvido a partir de um trabalho antropológico centrado no Brasil e/ou realizado por brasileiros: pode-se pensar na Metafísica Canibal de Eduardo Viveiros de Castro e em Além da Natureza e Cultura de Philippe Descola (e, na mesma linha, em How Forests Think de Eduardo Kohn, centrado no Equador). A erudição pós-humana muitas vezes pensa em si mesma como suplantando as ideias clássicas do humanismo. Mas, de fato, há muito a ganhar com a releitura de textos clássicos com o olhar pós-humano: pois muita literatura clássica se volta precisamente para a permeabilidade da fronteira entre humano e animal, e até humano e deus. Longe de reproduzir cegamente uma ideia do humano como única e distinta do resto da natureza, o pensamento clássico muitas vezes vê os seres humanos como completamente imersos nela.

CONVIDADOS:

Aldo Dinucci (Universidade Federal de Sergipe);
Cristina de Souza Agostini (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul);
Eduardo Wolf (Cátedra UNESCO Archai);
Emily Kneebone (University of Nottingham, Reino Unido);
Francesc Casadesus (Universitat de les Illes Balears, Espanha);
Luca Jean Pitteloud (Universidade Federal do ABC);
Lucas Soares (Universidad de Buenos Aires, Argentina);
Marco Zingano (Universidade de São Paulo)
Maria Cecília Leonel Gomes dos Reis (Universidade Federal do ABC);
Pilar Spangenberger (Universidad de Rosário/ UBA, Argentina);
Rainer Guggenberger (Universidade Federal do Rio de Janeiro);
Renato Matoso R G Brandão (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro);
Rodrigo Pinto de Brito (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro);
Tim Whitmarsh (University of Cambridge, Reino Unido);
Sussumo Matsui (Universidade de Coimbra, Portugal).

PROGRAMAÇÃO: 

Em breve 

COMISSÃO ORGANIZADORA 

Agatha Bacelar (UnB)
André da Paz (UnB)
Ariadne Coelho (Universidade de Coimbra)
Arthur Sobreira (UnB)
Beatriz de Paoli (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
Erick D’Luca (UnB)
Fernanda Freire (Universität Münster, Alemanha)
Fernanda Israel Pio (UnB)
Flavia Vasconcellos Amaral (University of Toronto, Canada)
Gabriele Cornelli (UnB)
Henrique Modanez de Sant’Anna (UnB)
Isadora Fernandes (UnB)
Leonardo Guimarães (UnB)
Mariana Belchior (UnB)
Pilar Spangenberger (Universidade Nacional de Rosário/ UBA, Argentina)
Tadeu Cavalcante (UnB)

INSCRIÇÕES:

Faça sua inscrição por este endereço:

https://doity.com.br/xviii-seminario-internacional-archai-novas-agendas-para-os-estudos-classicos-raca-e-ecologia 

As inscrições são gratuitas, mas limitadas. 

Será fornecido Certificado. 

Dúvidas ou consultas podem ser enviadas para: seminarios@archai.unb.br 

ORGANIZAÇÃO: 

Cátedra UNESCO Archai sobre as Origens Plurais do Pensamento Ocidental / UnB
Programa de Pós-Graduação em Metafísica / UnB
Núcleo de Estudos Clássicos / UnB
Red Brasília-Buenos Aires de Filosofía Antigua